E a vida? Continua...
Atualmente é muito comum falarmos e ouvirmos sobre: efeito estufa, gases, equilíbrio alterado tipos de energias não poluentes e tantos outros mais, contudo nem todos sabem o que significa ou preocupam-se com as consequências.
No entanto, é necessário dizer que a questão é envolta de polêmica. A causa desse desequilíbrio climático é discutida pelos pesquisadores e, basicamente, existem dois grupos. Há os que entendem que o aquecimento global é oriundo de processos da própria natureza, e os que afirmam que o planeta está apresentando aquecimento devido às grandes quantidades de emissões de gases de efeito estufa, que se intensificaram a partir da industrialização. A resolução deste impasse nos meios especializados não parece ser fácil, e nem pretendemos resolvê-lo. Mas uma coisa é indubitável, nossa experiência constata que mudanças climáticas estão em curso e que já alteramos substancialmente o planeta.
E, considerando que o clima da Terra é resultante, em parte, da interação dos seres que o habitam, torna-se difícil negar que alterações, como as derrubadas de florestas, modificações nas águas marinhas e na atmosfera, que recebeu uma carga imensa de gases de efeito estufa, não contribuam para as mudanças climáticas que verificamos.
E a considerar a gravidade da situação e de suas consequências, basta citar que órgãos da ONU já falam na existência de 50 milhões de "migrantes do clima", não podemos deixar de agir em prol de melhores condições para o nosso planeta. Sobretudo, porque o aquecimento global e as mudanças climáticas exigirão mais sacrifícios dos mais pobres e menos protegidos. Cruzar os braços diante de tal desafio significa irresponsabilidade tamanha para com as gerações futuras, pois ainda podemos fazer algo em prol da vida no planeta.
Neste sentido, a identificação das ações que mais emitem gases de efeito estufa é um passo importante para buscarmos alternativas que resultem em menores índices de emissões de tais gases.
O clima em nosso planeta tem sua história, já apresentou diferentes configurações e, nesse sentido, é sujeito a alterações. No entanto, as mudanças ocorridas no passado aconteceram em virtude de processos naturais, como - pequenas variações na relação da órbita da terra em torno do sol queda de meteoritos na superfície do planeta e grandes erupções vulcânicas. Nos dias de hoje, é visível que mudanças climáticas estão em curso: a temperatura está mais elevada, temporais por toda a parte, vendavais, longas estiagens. Mas se no passado as mudanças ocorreram por causas naturais, não podemos dizer o mesmo em relação às atuais, porque coincidem com o processo de industrialização que se intensificou nos últimos séculos.
Não há unanimidade na comunidade científica a respeito das causas desta mudança climática a que assistimos. Para alguns, apesar das grandes emissões de gases de Efeito Estufa (GEEs), estas alterações são resultados de um processo natural do planeta, enquanto grande parcela as relaciona om as atividades empreendidas pelo ser humano após a implantação do atual sistema de produção.
O clima do planeta é resultante da interação de muitos fatores, inclusive dos seres integrantes da biodiversidade que ele hospeda.
O aquecimento global é uma mudança climática que traz consigo uma série de desdobramentos. Eventuais mudanças climáticas acontecem quando se registram alterações nos valores médios registrados nas temperaturas, com aumento ou diminuição.
O efeito estufa é um processo natural, sem o qual a temperatura na terra seria durante o dia muito quente e, a noite muito fria. Assim sendo, pode-se dizer que o efeito estufa é uma espécie de “instrumento”, mediante o qual a terra oferece uma temperatura média constante, necessária para a vida. Além disso, a temperatura do planeta ofereceu as condições para o desenvolvimento da atual biodiversidade que o planeta hospeda, configurada ao longo de mais de três bilhões de anos. Portanto, o efeito estufa é importante para que o clima de nosso planeta proporcione vida.
A implantação do sistema industrial de produção de bens e o consumo compulsivo, inclusive de produtos supérfluos, intensificou a extração de materiais da natureza e ocasionou profundas transformações na face do planeta. Em virtude da magnitude destas mudanças, que já ameaçam as estruturas da terra, há quem diga que estamos entrando em um anova era geológica, o “antropoceno”.
O consumismo desenfreado contribui para o desiquilíbrio natural, o desperdício, a poluição das grandes indústrias, enfim muitos são os fatores a influenciar negativamente, esses são apenas alguns dos muitos aspectos que poderíamos desencadear neste assunto, não cabe aqui cair no mérito, pois muito nos alongaríamos, ainda assim não posso deixar de citar o fato da campanha enganosa que nos é feita em relação ao consumo da água, quando nós simples contribuintes somos constantemente culpados pela escassez da água e na verdade mais de 70% da responsabilidade cabe as indústrias por poluírem os rios de maneira inescrupulosa e ocultarem tais informações.
Diante disso precisamos vislumbrar luzes que apontem para a uma visão mais correta e respeitosa de tratar a terra, nossa casa comum. Energia de fonte renovável, como solar, eólica, geotérmica, dos oceanos e de biomassa, o uso consciente e coerente dos “3 Rs” Reutilizar, Reaproveitar e Reciclar são apenas algumas das muitas luzes que temos em nossos horizontes, mas que não aconteceram de um dia par o outro ou sem sacrifício, e renuncia, afinal toda escolha é uma renuncia, será que aprenderemos algum dia a renunciar ao nosso comodismo, consumismo para escolhermos uma vida mais saudável e digna para nosso planeta? É absolutamente necessário desejar que o resgate da responsabilidade ética motive e faça convergir ações de cunho social até de alcance planetário, visando o cuidado deste imenso ser vivo chamado planeta terra.
Referencias biográficas:
Texto base CNBB CF2011
Senhor morador,
Gostaria de informar que o contrato de aluguel que acordamos a bilhões de anos está vencendo e precisamos renová-lo, porém, existem alguns pontos fundamentais que precisamos acertar.
1º. Você precisa pagar a conta de energia, está muito alta. Como é que você gasta tanto?
2º. Antes eu fornecia água em abundância, hoje eu não disponho mais desta quantidade. Precisamos renegociar o uso.
3º. Porque alguns na casa comem o suficiente e outros morrem de fome se o quintal é tão grande? Se cuidar da terra vai ter alimento para todos!
4º. Você cortou as árvores que dão sombra, ar e equilíbrio. O sol está quente e o calor aumentou. Você precisa replantar novamente!
5º. Todos os bichos e plantas do imenso jardim devem ser cuidados e preservados. Procurei alguns animais e não encontrei. Sei que quando aluguei a casa eles existiam.
6º. Precisam verificar que cores estranhas são essas que estão no céu! Não vejo o azul!
7º. Por falar em lixo, que sujeira, hein? Encontrei objetos estranhos no caminho! Isopor, pneus, plásticos...
8º. Não vi os peixes que estavam nos rios e lagos. Vocês pescaram todos? Onde estão?
Bom, já era hora de nós conversarmos.
Preciso saber se você quer morar ainda aqui.
Caso afirmativo, o que você pode fazer pra cumprir o contrato?
Gostaria de ter você sempre comigo, mas tudo tem um limite.
Você pode mudar?
Aguardo resposta e atitudes.
SUA CASA - A TERRA
Referencias biográficas:
Texto base, CNBB CF 2011 (Confederação Nacional de Bispos do Brasil), São Paulo,
Edição única – 2011
O cataclisma ambiental, social e humano que se abateu sobre as três cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na segunda semana de janeiro, com centenas de mortos, destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca capa de solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assentada sobre imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam frequentemente deslizamentos fatais.
Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que destribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora.
A causa principal deriva do modo como costumamos tratar a natureza. Ela é generosa para conosco pois nos oferece tudo o que precisamos para viver. Mas nós, em contrapartida, a consideramos como um objeto qualquer, entregue ao nosso bel-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação nem lhe damos alguma retribuição. Ao contrário, tratamo-la com violência, depredamo-la, arrancando tudo o que podemos dela para nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira de nossos dejetos.
Pior ainda: nós não conhecemos sua natureza e sua história. Somos analfabetos e ignorantes da história que se realizou nos nossos lugares no percurso de milhares e milhares de anos. Não nos preocupamos em conhecer a flora e a fauna, as montanhas, os rios, as paisagens, as pessoas significativas que ai viveram, artistas, poetas, governantes, sábios e construtores.
Somos, em grande parte, ainda devedores do espírito científico moderno que identifica a realidade com seus aspectos meramente materiais e mecanicistas sem incluir nela, a vida, a consciência e a comunhão íntima com as coisas que os poetas, músicos e artistas nos evocam em suas magníficas obras. O universo e a natureza possuem história. Ela está sendo contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. Nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam.
Os povos originários sabiam captar cada movimento das nuvens, o sentido dos ventos e sabiam quando vinham ou não trombas d’água. Chico Mendes com quem participei de longas penetrações na floresta amazônica do Acre sabia interpretar cada ruído da selva, ler sinais da passagem de onças nas folhas do chão e, com o ouvido colado ao chão, sabia a direção em que ia a manada de perigosos porcos selvagens. Nós desaprendemos tudo isso. Com o recurso das ciências lemos a história inscrita nas camadas de cada ser. Mas esse conhecimento não entrou nos currículos escolares nem se transformou em cultura geral. Antes, virou técnica para dominar a natureza e acumular.
No caso das cidades serranas: é natural que haja chuvas torrenciais no verão. Sempre podem ocorrer desmoronamentos de encostas. Sabemos que já se instalou o aquecimento global que torna os eventos extremos mais freqüentes e mais densos. Conhecemos os vales profundos e os riachos que correm neles. Mas não escutamos a mensagem que eles nos enviam que é: não construir casas nas encostas; não morar perto do rio e preservar zelosamente a mata ciliar. O rio possui dois leitos: um normal, menor, pelo qual fluem as águas correntes e outro maior que dá vazão às grandes águas das chuvas torrenciais. Nesta parte não se pode construir e morar.
Estamos pagando alto preço pelo nosso descaso e pela dizimação da mata atlântica que equilibrava o regime das chuvas. O que se impõe agora é escutar a natureza e fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio.
Só controlamos a natureza na medida em que lhe obedecemos e soubermos escutar suas mensagens e ler seus sinais. Caso contrário teremos que contar com tragédias fatais evitáveis.
Folha.com
O preço de não escutar a natureza, Leonardo Boff – 15 de janeiro de 2011.
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